Minha mãe, Dona. Bela, era conhecida por toda a vizinhança como uma mulher sábia e positiva, mas tinha uma característica marcante: era direta e falava a verdade, doa a quem doer. As pessoas vinham pedir a sua opinião, sabendo que não ouviriam falsos elogios.
Lembro-me de quando uma vizinha, a Zuleica, ficou grávida e comprou um berço. Naquela época, ter um berço era um acontecimento chique, pois a maioria usava balaio. Orgulhosa, ela chamou a minha mãe para ver o quarto do bebé.
A primeira coisa que Dona. Bela bateu o olho e falou foi: "E essa boneca pendurada pelo pescoço no berço? Parece mais um enforcamento! Zuleica, você quer que a primeira visão da criança seja um enforcamento?". Assustada, a vizinha disse que tinha sido um presente da futura madrinha, mas correu para tirar o enfeite dali.
A madrinha soube e levou aquilo como uma ofensa pessoal gravíssima. Ficou mais de 20 anos sem dar um "bom dia" à minha mãe. O que ninguém esperava é que, décadas mais tarde, o destino conspiraria de uma forma misteriosa e trágica com aquela mesma família. Minha mãe não falava por maldade; ela tinha uma intuição pura e via o que os outros ignoravam. No blog de hoje, relembro que a verdade pode afastar alguns, mas o tempo sempre mostra quem tinha os olhos abertos para a vida.
— Jassa de Souza (Toy)

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