💎 Lembranças.
Na minha infância, foi marcada de alegria.
Nesta época, a meu ver, eu não tinha mãe. Quero dizer que tinha uma amiga que é mãe.
Lembro-me se fosse hoje. Minha mãe saiu para buscar uma trouxa de roupa para lavar, era o serviço que se achava na época, nova, com pouca instrução. E ainda tinha um agravante: nova, bonita e mãe solteira. Na época, não era bem vista e era rejeitada. As patroas tinham receio de ficarem sem marido e, quando uma dava a mão, era explorada. Os homens da época não tinham respeito nenhum pelas mulheres, ainda mais por um rostinho juvenil e ainda mãe solteira, imagine o quadro. O único desabafo de minha mãe era eu. Ela sempre me mantinha informado de sua jornada do dia. Modéstia à parte, Deus me presenteou com uma mente privilegiada. Não sou um superdotado de altas habilidades, meu presente é divino e autodidata. Nos meus 4 anos, aprendi o que via a passos geométricos. Por ser assim, minha mãe não via um filho e sim um aliado de desabafo.
Voltando ao assunto pertinente. Ela voltou com uma sacola e tirou 2 patinhos verde e amarelo com rodinha. E não parou por aí, não trouxe um conjuntinho de criança, um mini blazer, um calção todo em tergal bege e ainda 2 sapatinhos meia bota de cadarço, um preto e outro marrom. Toda a empolgação de mãe em ver sua prole bem vestida. Passou a mão em mim e no meu irmão. A nos vestir. E eu, agoniado para provar a roupa logo para brincar com meu patinho de roda. Mas tinha outros planos, vestiu ambos os filhos e tomou um banho. Ainda me lembro deste dia, quando vi a mãe, a primeira coisa que perguntei foi: 'Vamos para uma festa? Se me lembro, só fragmentos, se não me engano, nós morávamos num barraco de 3 janelas e tramela. No quintal tinha uma mangueira florida e embaixo uma banqueta de 4 lugares de madeira enfiada na terra. Onde minha avó passava os dias chorando e contando acontecimentos do passado. Na minha visão de criança. Minha avó me irritava. Ficava penteando o cabelo da gente e contando histórias que eu não queria ouvir, e sim brincar. Quando minha mãe chegava. Completava o quadro: “Mãe, espero que os meninos não deram trabalho? Imagina, filha, eles se portaram além do mais, fizeram companhia para mim. É bom mesmo, se não… Ufa! Afinal, vó é mãe duas vezes.
Enfim, lembranças! Voltemos ao assunto. Se não me engano, morávamos na rua 214 da Vila Nova, Goiânia, Goiás. Nós três, mãe, eu e meu irmão, arrastando os patinhos de roda, aos quais minha mãe amarrou um barbante. Pegamos o caminho até a Praça Boa Ventura, que nos levava lá para brincar na grama. Foi um dos dias que recordo como mais felizes para a visão de uma criança, comemos pipocas, uma de sal, outra doce. Picolé e laranjinhas. E foi por muito tempo. Mãe sempre presente na vida dos filhos e, como criança, vi uma adolescente virar adulta, sempre presente na vida de criança, adolescente, adultos até casar e, consequentemente, avó.
Lembro-me de ela passar borra de café no rosto e nas mãos, vestiu uma roupa de mendigo, um chapéu de palha e um saco de linhagem nas costas e veio ao portão onde nós ficávamos. Bateu palmas. Disfarçou a voz. Oh, de casa? Corri até o portão para atender, confesso que não reconheci minha mãe. Menino, você está sozinho? Na inocência de criança, respondi. Está só eu e meu irmão. Você tem um banco debaixo de uma sombra para eu descansar? E estou com muita sede. Abri o portão, falei para eu considerar que era o moço, entre, senta aí, vou pegar um copo para o senhor. Enquanto eu entrava, o moço vinha atrás. Me segurou e falou: agora vou pegar você e seu irmão, vou pôr neste saco e levar para comer. Eu, apavorado, destampei a chorar. Minha mãe tirou o chapéu e soltou o cabelo. Oh! Meu filho é mamãe. Demorei a enxergá-la, sob o choro, é a senhora mesmo? Correu, lavou a cara e eu, mamãe (soluçando). É a mamãe! Espero pacientemente me acalmar. Já categorizada como normal. Aí veio o sermão. Senta aqui, toim, agora você entendeu por que a mamãe falou para abrir o portão para um desconhecido? Hoje foi a mamãe, outro dia pode ser verdade. E aí, para vocês, tchau, tchau… Mas a vovó disse que a gente deve ser gentil com viajantes na roça? Ela deu um suspiro e: 'Está certo, mas ela disse bem, lá na roça, mas aqui é cidade, tem muita gente má, fiz como exemplo o perigo que vocês correm, meu filho, você entendeu? Aqui é cidade, não é roça.
Vou narrar aleatoriamente o que lembrar.
A brincadeira mais marcante de que me lembro é de esconder objetos e era boa nisso.
Ela escondia conosco de encontrar, podia um palito e botava para procurar e quando chegamos perto do objeto ela dizia 'quente, quente, chegando mais perto', está pegando fogo e longe 'frio, frio'. Mais longe, congelando.
Foi a lição mais marcante (quando esconder objetos, escolher o lugar na vista de estar procurando, um lugar que vai passar milhões e não vai achar).
O famigerado palito estava ora no cabelo dela, embaixo de um pano em cima do tanque, às vezes amarrado num galho baixo, às vezes numa roupa secando, às vezes em cima da mesa com uma panela em cima e por aí vai, ficavam horas à procura do objeto. É nunca até pegar as manhas.
Ela jogava bola conosco de bobinho.
Às vezes, nós nos divertimos muito brincando de roda, roda…
Balanço, escorregador, roda gigante. Trenzinho da alegria.
Automóvel bate, bate. Trenzinho fantasma, pescaria,
Correr na areia brincando de pega-pega.
Sorvetes, picolés, algodão doce, chuchu, balas Nivea, balas soft, balas Apache, pirulito de coração, pirulitos de sombrinha, pirulito da copa..
Quebra-queixos, maçã do amor, maria mole, suspiros, sonhos, geleias, paçocas quadradas, pé de moleque que era o dobro do atual.
Rapaduras macias de cana caiana que davam o dobro da atual.
Pão espaguete de 80 centímetros, roscas que eram um baque para 8 pessoas comerem.
Coração de abóbora, ameixas.
Anos depois, conheceu o seu futuro cônjuge.
Na minha opinião, foi a única figura masculina que considero pai.
Por muito tempo, a criança uniu o útil ao agradável.
Conhecemos viagens de férias, churrascarias, Playcenter, circos,
TV, jantares em família, pecuária, sem falar nas coleções de figurinhas da copa de 70, Jairzinho, Tostão, Roberto Dinamite, Toninho Cerezo, Rivelino;
E muito mais, só a memória me falta. (continuando) Bingola Disney, boneco da Disney, bonequinhos de indígena de cowboy.
Esta pessoa foi breve, mas marcante, deixou um presente dos céus, uma âncora familiar, uma consciência e clareza familiar, um porto seguro que até os dias de hoje continua a sua missão (o caçulinha dos irmãos). Se estou escrevendo agora, foi graças a ele.
Mas tudo que é bom é pecado e acaba rápido.
O companheiro omitiu um pecado não só para ela, como para a sociedade.
Ao ver que uma criança não achava nada fora da curva que não pudesse endireitar, mas à época, até mesmo hoje, necessita de uma atitude drástica. E foi o que a mãe fez, se separaram, mesmo eu discordando.
Mas minha mãe não deixou a desejar com nossa convivência e nosso.
Futuro.
Ela falava: “Hora de brincar, hora de estudar.
Vocês nasceram pobres e não burros.
Pobres e burros, tem cabimento?
Outra coisa que ela
Não há nenhum mal sem um proveito,
Na vida, a gente tem que ser.
Prudente, auto-adaptativo.
Comedido nas
Palavras, analítico e às vezes meio camaleão.
O que o camaleão faz?
Não foge, se disfarça conforme a situação.
Comedido, comedido…
Às vezes a gente dá uma de baú.
Temos que guardar segredos
É vitalício
Às vezes, testemunhamos fatos e coisas que não são da nossa conta.
Vocês não são papagaios para repetir tudo que ouve.
Guarde para si, nem todos têm maturidade para saber das coisas.
Mãe é que é maturidade?
Filho meu! Às vezes, a mamãe julga que vocês são adultos.
Desculpe a mamãe? Como explicar uma coisa que aprendera a compreender? Vamos lá… vocês sabem a água.
E o fogo? Sabemos, mamãe. Tanto o fogo como a água têm 2 funções.
O fogo pode cozinhar e aquecer( (respiração).
A água possibilita beber, lavar roupa, lavar as coisas.
O fogo queima.
A água pode se afogar?
Não existe certo ou errado, o segredo é aprender a utilizar.
Mãe, já entendi o que é maturidade… É aprender a utilizar as coisas sem se machucar.
Filho, você não nega a raça.
É quase isso,
Nem todos chegam a compreender certos tipos de assunto e não estão preparados para saber “maturidade é isso´´
Observação: toda brincadeira
Tem um fundo de verdade.
Filosofia herdada:
Ser reto.
Ser honesto consigo mesmo.
Fazer o certo mesmo quando ninguém vê.
Aprender pela vida e pelos exemplos.
Pelos pais, conhece os filhos.
É de gosto, é regalo da vida.
Boi em terra alheia berra como vaca.
Tome cuidado com brincadeiras fora de casa. Pode ser mal interpretado.
De razão a quem tem razão se você perdeu a razão num determinado momento. ´
Às vezes a gente tem que ceder para evitar maiores consequências. Humor à razão é de comer? Pelo que sei, você já almoçou.
Preservar respeito vale mais.
Ter razão não é licença para destruir convivência.
Quando se está nervoso, “Morde a testa que sara.”
Bajulo para trabalhar e não para comer´´
Chamo para trabalhar e não para comer´
Quando um de nós tinha pressa e estabanado A
´´”Vai voando”
“Toma cuidado, só chega.”
Bate com os pés na boca, que a mão não alcança.
Quem vive no respeito, um olhar basta.
Comer um pote de doce sozinho é enjoativo.
Dividir com os irmãos é alegria.
Lembro-me de que fomos pela primeira vez no mercadão boa ventura
Foi ali que me despertou para o mundo,
Estava de mãos dadas com minha mãe, quando meus olhos olharam a banca de revistas, especialmente um gibi do Zé Carioca. E minha mãe percebeu meu interesse. Me arrastou pelo braço e foi comprar toucinho de porco para fazer banha no lugar do óleo e torresmo para farofa. Em 1970, o dinheiro era lenda, o pouco dinheiro que ela ganhava na lavagem de roupas tinha que dar. Hoje entendo o que ela fez. Pegou o toucinho, pegou minha mão, pegou umas moedas de troco. Voltamos para a banca. Ela olhou o gibi. Quanto custa?
Lembro como se fosse hoje. Vinte e três centavos, senhora, foi numa época em que o dinheiro tinha vergonha. Abriu as mãos e contou umas pratas, pagando o banqueiro, pegou o gibi e me entregou. Lembranças, lembranças. Não consigo escrever mais…
(continuando) Foi a melhor coisa que me deu
Daquele saiu o que sou hoje.
Fiquei fascinado com aquilo, olhava sem parar para as figuras, queria saber o que eles diziam, não dei sossego para a mãe para ela ler para mim. Mas que jeito? Minha mãe só tinha até a 3ª série rural, leu como pôde, mas eu era perspicaz, notei que nem tudo batia com as figuras.
No próprio pensamento, correu atrás de jardim de infância para eu e meu irmão sermos alfabetizados. Eu não me lembro bem, mas foi no Instituto Dom Bosco, perto da pecuária na nova vila.
Sempre presente em nossas vidas, correu atrás de uniforme e caderno, lápis, apontador, caderno de desenho, lápis de cor, obs. Para a época, era material para bacana. Ela falava: meus filhos nasceram pobres, mas enquanto eu viver não vão andar sujos e esfarrapados e, acima de tudo, vou fazer tudo que puder para estudarem. Não tenho letras, mas meus filhos vão ser letrados. Dito e certo. Hoje em dia, eu afirmo: ela conseguiu.
Levava-nos todos os dias, participava das festividades locais, aprendi a conviver. Lembro-me de que ela fez a caracterização minha de um padre para eu participar de uma festa junina no Salão Dom Bosco, costurou tudo à mão e os adornos, virei um mini sacerdote. Resumo: tirei em primeiro lugar de fantasias. Isso, para uma criança, era divino.
Teve muitas comemorações sempre presentes. 7 de setembro, 24 de julho, ano novo, natal, carnaval, dia do indígena, dias das mães, dos pais, dia da criança, dos professores e dias santos e por aí vai.
Aprendemos tudo juntos. Apesar das dificuldades da época, eu não lembro de um só dia em que ela não suprisse todas as nossas necessidades.
Fomos abençoados com uma mãe presente.
Brincadeiras com ela: pula corda, bola, peteca, bilocas, colar figurinhas, cabra cega, esconde,esconde, pif paf, save cadeia, raia, finca, pega-pega, escondidinho. Bicho manjaléu, historinhas, bete, queimada, cozidinho, pula, pula, corrida de saco , fazendinha, contar estrela e formas, boi com manga…
Doces que fazia para nos alegrar.
Cidra, puxa-puxa, doce de manga verde, canjica, arroz doce, doce de leite cortado, goiaba, açúcar de rapadura com farinha. Gemada comprava Nescau e deixava-nos comer.
Beiju, bolinhos fritos de polvilho, bolo de fubá, bolo de arroz, casadinhas, e muito mais que podia inventar na época.
Banhar-se na chuva quando terminamos um chá quente de capim cidreira e bolinho de chuva.
Quando ela estava no serviço do menino apronta, ela chegava e ia ler a cartilha para a gente. Não quero filhos reféns, quero filhos responsáveis. Quando vocês saírem para algum lugar, avisem.
Fale aonde vai, com quem se for por precisão falem, se for brincar falem também, não quero criar filhos numa prisão, só quero que tomem cuidado e sejam os homens da casa e responsáveis.
A mamãe confia em vocês, mas a companhia de desconhecido, até mesmo de conhecido´´ NÃO´´
Lembrei-me de vários causos que eram típicos dela.
O causo da boneca enforcada.
Toda vizinha gostava de solicitar opinião antes de fazer as coisas.
Diziam ser sábia e positiva, doa a quem doer.
Uma vizinha está gestante, comprou um berço, na época era um acontecimento bacana. A maioria utilizava balaio. Queria mostrar para minha mãe, arrumamos e tenho notícias dos filhos. Fomos ver o bendito berço.
A primeira coisa que falou foi: “Essa boneca pendurada pelo pescoço parece mais um enforcamento.” Zuleica, você julga que a primeira da criança é um enforcamento? Deus me livre, Dona Bela, isso foi um presente da futura madrinha. “Tira isso daí.” Já tirei, Dona Bela.
Resultado: A madrinha ficou sabendo e: 'Enforcada?' É a !&#&* dela.. A mulher levou como ofensa pessoal e mais de 20 anos sem dizer um bom dia.. Mas parece que o destino conspira, a filha mais velha da madrinha se suicidou pulando de uma coberta amarrada no pescoço.
Manuel, trambiqueiro, fez um trambique com minha mãe. Ela só disse: “Mais Deus para dar do que o diabo para carregar.”
Fico com dó dos filhos desse sujeito, crescer num ambiente com esses exemplos… Deus que ilumine a cabeça desses meninos, deixa eu trabalhar.
Hoje tenho notícia dos filhos dele,um já tem 12 anos no cepaigo, o outro virou pastor e o caçula mataram.

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