Muitas vezes ouvimos por aí que “conhecer a verdade nos libertará”. Mas, após 60 anos de caminhada, observando o mundo entre silêncios longos e olhares que dizem tudo, eu me atrevo a discordar. Na minha visão — a visão de quem precisou de um “dedo dinâmico” para dar voz ao que a boca silenciou — a tradução para a realidade é outra: “conheceis a verdade e ela te destruiria”.
Pode parecer forte, mas deixe-me explicar por que trato o conhecimento como um dever moral e não como um troféu.
O Fardo da Sapiência
Convivi com todo tipo de gente. E notei algo admirável: as pessoas mais simples, as mais leigas, costumam ser as mais felizes. Elas têm uma alegria por tão pouco que a ciência ainda não explica direito. Já quem busca o conhecimento carrega um jargão pesado: “aumenta o conhecimento, aumenta o sofrimento”. A sapiência retira o filtro que protege a mente; ela nos faz ver as “fissuras silenciosas” que derrubam impérios e famílias.
A Lição de Dona Bela: “Dar uma de Baú”
Minha mãe, Dona Bela, me ensinou algo vitalício: na vida, às vezes temos que “dar uma de baú”. Ela explicava que a verdade é como a água e o fogo:
O fogo aquece e cozinha, mas também queima.
A água mata a sede e lava, mas também pode afogar. O segredo não é a verdade em si, mas a maturidade para utilizá-la sem se machucar. Nem todo mundo está preparado para saber de certas coisas; jogar a verdade bruta sobre alguém sem preparo é como soltar uma criança numa rodovia movimentada.
A Ética da Travessia
Aqui entra o meu objetivo comum com este projeto. Se tenho clareza mental e enxergo o perigo na estrada, eu não sou “melhor” do que quem não vê. Sou apenas responsável. Se você vê uma criança prestes a atravessar uma rodovia perigosa, você a ignora? Claro que não. Quem tem o conhecimento tem o dever moral de conduzir os “menos afortunados mentais” em segurança Conclusão: Cada um no seu Quadrado.
Não buscamos a verdade para sermos superiores, mas para sermos faróis. Respeito o espaço de cada um — “cada um no seu quadrado” — mas não me calo quando a minha lucidez pode evitar um acidente na vida de outro.
A verdade só liberta quem tem estrutura para ser livre. Para os outros, ela precisa de um condutor ético. E é para isso que o Dedo Dinâmico existe: para transformar o sofrimento do saber em proteção para quem caminha ao nosso lado.
Jassa de Souza Escritor e Observador do Comportamento Humano.

Seu Antônio eu amei essa reflexão e acredito que nós dois temos uma crença em comum: as pessoas precisam compartilhar o que sabem! Estarei sempre por aqui acompanhando suas reflexões, estive ontem aí na sua casa e eu amei muito conhecer o senhor, sua história e superação me serviram de exemplo. Não pare!
ResponderExcluirOlá, Ana Caroline! Fico muito feliz que a história tenha te surpreendido. A nossa infância às vezes fica guardada em gavetas que a gente esquece de abrir, e fico contente que meu texto tenha trazido um pouco dessas lembranças para você. Obrigado pelo carinho!”
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