quarta-feira, 8 de julho de 2026

Dia Adocicado

 

Ilustração inspirada nas lembranças narradas neste texto.

Ilustração inspirada nas lembranças narradas neste texto.

União para objetivo comunitário.


 Se a memória não me trai, em 72 minha mãe estava lavando roupa as 6.00 da manhã. 

 Dona Antônia gritou´´ Belaaaa! estão distribuindo leite na pecuária. mãe: Como assim? 

Bela é de graça, você vai pegar para seus filhos. Ela enxugou a mão e´´ vou lá ver esta benção. E foi Dona Antônia e minha mãe, pegaram a vasilha de leite (naquela época vendia-se leite a granel, o vasilhame era pouco mais 2 litros). 

Passaram uns 10 minutos (eu estava acordado e vi o movimento, preocupado com minha mãe, quando as duas saíram estava ainda escuro com quem acha que é o protetor) eu olhando a rua amanhecendo meu irmão ainda dormindo, lá vem as duas batateno em todos os portões e acordando toda vizinhança e eu sem entender aquele furdunço, na minha mente parecia grave. Só alguns anos depois que eu vim a entender.  Minha mãe foi ver a distribuição de leite em 72 tinha o leite GO-GO, o preço caiu (naquela época os produtores não eram usurados,) o leite GO-GO com os produtores decidiu a doar para população, hoje em dia jogam fora a dar pro outros, como eu estava dizendo estavam encerrando as atividades, 

pensem num mundaréu de leite? Vou por baixo, uns 150 caminhão pipa. 

Encabeçado pela mãe pegaram leite até no vaso de planta. 

 E agora o que fazer com este tanto de leite, vai acabar perdendo e terá que jogar fora 

No olhar de uma criança era tudo festa, mas era sério. Ninguém daquelas mulheres sabiam o que fazer, mas minha mãe com seus (eu não sei precisar a idade dela, acho que eram 23 anos). 

Por ter vivido na roça ela falou em voz alta: temos que arrumar 5 tachos de cobre e 5 remos de madeira, foi um corre, corre de mulher para arrumar estes benditos tachos, seu Josias da farmácia tinha 2 tachos o resto ficou com os maridos arrumar. 

 De posse dos tachos foi um Deus nos acuda para arrumar os remos, açúcar e cravo e eu olhando tudo aquilo era festa, lá pelas 10.00 da manhã tinha chegado o resto, minha mãe pôs a mão na cintura amarrou o cabelo em coque, ´as senhoras acham que eu vou trabalhar sozinha? Vão todo mundo catar lenha, pau e que for para fogo e não se esqueçam de tijolinho. E eu só olhando aquele pandemônio e me divertindo, mas tudo que é bom dura pouco. palavras de dona Bela (tudo que é bom, dura pouco e é pecado). 

 Toem vem aqui? Vai catar lenha também. A contragosto fui também. lá foi eu com seu João Jose num caminhãozinho ¾, Ele percorreu uns 30 quilômetros de terra para pegar lenha, as 13.00 horas voltamos varados de fome, quando chegamos minha mãe e as donas de casa estava na varanda da casa de dona Antônia.  Quando chegamos, tinha montado um quartel e minha mãe era o general. Eu sei disto hoje com meu entendimento, 

mas na época eu achava que era um tipo de brincadeira que os adultos brincavam. Tinha 5 tachos em paralelo em cima dos tijolos formando um fogareiro improvisado, os tachos estavam cheio de leite, cada tacho tinha 2 donas de casa segurando um remo ou pedaço de pau mexendo o leite em círculo e algumas mulheres acrescentado açúcar e outras mais leite e os homens ficou a parte da lenha.  Acha que eu ia ficar atoa, negativo. 

A missão minha e Maria Jose irmã do seu João era juntar pote com tampa. tudo e que vazia que tinha tampa e eu fiquei irado, afinal na visão de uma criança aquele furdunço era festa. 

 as 21.00 horas estavam apurando o doce, e boa quantidade de leite na época eu não entedia o que era isca(coalho) misturaram o que deu de leite bom com as iscas e abafaram. Naquela noite ninguém dormiu a não ser eu e toda garotada vencida pelo 

cansaço. Quando acordamos cedo as coisas já tinha mudado, os doces estavam prontos e as mulheres estavam colocando nas vasilhas que eu e Maria Jose tinha juntado. E tinha mais mulheres em volta do tanque torcendo sacos de algodão cheio de leite cortado e eu em dúvida, o que vai fazer com esse leite cortado? Hoje eu sei era queijo amassado não tinham formas, o dia já amanhecendo todo mundo exausto querendo parar e um punhado de leite azedo. E agora o resto teremos de jogar fora? Minha mãe estava lá no fundo da casa, mas ouviu as mulheres querendo jogar o resto de leite perdido fora e encerrar o trabalho, ela gritou, nada disso! Vamos aproveitar tudo. Bela já estragou, azedou? Na minha terra não se joga fora só porque azedou. Bela, mas está todo mundo exausto? Bando de mulheres flouxa, na minha terra tem a festa do rosário, ninguém dormiu por 9 dias. Bela é isso mesmo? Não sei das outras, mas eu vou ficar. Quando a dona Olindina falou, foi um bafafá. Só ouvia, eu vou embora não aguento mais e outras eu fico, virou uma discursão generalizada, e eu soltando foguete. No olhar de uma criança, quanto mais o circo pegar fogo é festa. Como sempre a solução veio da minha mãe. Gente! Quem não aguenta o batidão pode ir para suas casas descansar os demais que vão ficar não vai por reparo, nem todo mundo tem resistência para essa empreitada.  As demais que ficaram encheram os tachos de leite azedo, começaram a mexer e outra acrescentando açúcar e eu no meu olhar ´´ leite azedo? ´´. Ficou um dos doces mais gostoso que eu provei. já chegando a noite a meninada vencida pelo cansaço, foram dormir. Já de manhã os adultos estavam esparramados pela casa apagados de cansaço. e os tachos cheio de doces para guarda. 

Já viu! Dose e criança sem adulto por perto, quando os adultos acordados, tinha criança com Doce até no cabelo, outros estavam todos melados de Doce e mais outros cagando que nem pato. Operação limpeza para os adultos. Segundo o meu ver foi o dia  unico,feliz da minha vida. Não posso dizer dos pais. Em resumo: depois de tudo terminado. 

Começou a divisão, deu tanto doce e queijo, que aqueles que não contribuíram levaram, pensa que os participantes importam, que nada, naquela época compartilhar era um prazer.  

 Alguns inventaram uma história ´´ tem menino sujo de Doce até hoje´´ 

 

 







2 comentários:

  1. Seu Antônio eu tenho uma memória tão ruim, não lembro de quase nada da minha infância, MEU DEUS! Sua história contada em detalhes me surpreendeu muito!

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  2. "Olá, Ana Caroline! Fico imensamente feliz com as suas palavras. Saber que a nossa conversa e as minhas reflexões ecoaram de forma tão positiva em você enche o coração deste barriga-verde aqui de alegria! É exatamente como você disse: o conhecimento e as nossas vivências ganham muito mais valor quando são compartilhados. As portas estarão sempre abertas para mais conversas assim. Um grande abraço!"

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Dia Adocicado

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